sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Lembranças de Moema

Quando tinha uns 3 anos mudei com meus pais para um apartamento em Moema. Lá nasceram minha irmã, Juliana e meu irmão, Tiago.
Lembro da banca de jornal do Sr. Nelson, onde a gente ia comprar revistinhas e figurinhas. Da padaria Dengosa, na Canário, onde a gente comprava pão e depois eu trocava cheques por dinheiro quando precisava. Naquela época ainda não existiam os caixas eletrônicos...
Lembro da farmácia do Sr. Valter e do posto de gasolina Canarinho.
Lembro da quitanda da Inhambu, onde eu ia comprar verduras na última hora para o almoço... E do Pereira, um mendigo que dormia no bar da esquina e que adorava ficar olhando as grades da casinha do lixo do prédio...
Lembro da Móbile. A escola onde toda minha família estudou. Menos eu. Todo fim de ano eu implorava para a Maria Helena fazer uma série para mim, mas nunca dava certo! Eu estava sempre 1 ano à frente da escola. A minha família dominava a escola. Em cada classe tinham 2 ou 3 primos e ainda tinha a tia Lúcia, irmã da minha mãe, que era professora. 10 primos irmãos, fora os primos de segundo grau e os agregados. Era uma farra!
Lembro de andar muito a pé por Moema. Minha avó morava na Rouxinol e minha melhor amiga, a Marina, morava na Iraúna. Lembro de ficar horas conversando com ela pelo telefone. Horas e horas. Às vezes ela ficava estudando piano na casa dela e eu ficava ouvindo pelo telefone... Minha mãe queria me matar quando chegava conta...
Olha o telefone com fio!                                           
Lembro da loja de plantas/escritório da minha mãe, a “Verde que te quero verde”, na Bem-te-vi. A loja era super charmosa. A Bem-te-vi ainda não tinha nenhuma loja de sapatos...
Lembro do Marcelo do Jepp. Um cara bonitão que vendia sanduiches naturais e que fazia o maior sucesso cada vez que aparecia! Não lembro do gosto dos sanduiches, mas lembro que ele era um verdadeiro colírio...
Lembro que onde hoje é a av. Helio Pelegrino, era um córrego, o córrego Uberabinha. Mais um córrego que foi soterrado e ficou escondido na cidade...
Lembro que fiz o colegial no Galileu Galilei, que ficava na minha rua. A escola era pequena e não tinha quadra de esportes. Então fazíamos as aulas de educação física no Parque Ibirapuera. Era uma curtição ir andando da escola até o parque! Duro era voltar para a escola e ainda ter que assistir aula. Dava uma vontade danada de ficar curtindo o parque...
Lembro do bazar que virou loja. Mais um empreendimento da minha mãe, desta vez em parceria com a minha tia Luciana. Esse bazar não tinha nome. Era “O Bazar”. E tudo o que era vendido lá, estava em consignação. Móveis, tapetes, chocolates da Anusha, bolachinhas caseiras divinas, roupas (que eu e minha irmã vivíamos provando...), cremes, perfumes, cosméticos e lenços importados que eram trazidos por uma aeromoça, malas e bolsas de couro, sapatos, flores... Enfim, tinha de tudo! E tinha também a Kelly, a manequim, que era nossa boneca, e sempre estava de roupa nova. Ela ficava numa parte da casa que tinha um jardim interno. Muito lindo! À tarde sempre tinha um chazinho com bolachinhas e às quartas à noite rolava um happy-hour com whisky e petit-fours. Era uma festa! As pessoas iam comprar um presentinho e ficavam batendo papo, fazendo confissões... O bazar que nasceu como bazar de natal, fez tanto sucesso que durou uns 3 anos.
Lembro do busão de Moema. O 875C Santa Cruz-Lapa, o ônibus da galera, que saia da esquina de casa, ia para o Shopping Iguatemi e até a casa do meu namorado (meu marido) no Alto de Pinheiros.
Lembro do prédio onde morei. Quando mudamos o prédio era um dos únicos da rua. Moema não era esse paliteiro cheio de prédios que é hoje... Eu tinha várias amigas: a Natalia, uma argentina que morava no primeiro andar, a Andrea do sétimo, as gêmeas Ligia e Luciana do primeiro, a Mariana do 11... Era bem divertido. Era um tal de sobe e desce elevador o dia inteiro...  E o pátio? Ah, que delícia! Lembro de andar de bike, de brincar de esconde-esconde, de pular corda... Mas o ponto alto era o labirinto colorido que está lá até hoje!
                                                                                                      



texto e fotos enviados por : Nô Figueiredo

12 comentários:

  1. Puxa como era bom ver o Marcelo do jeep circulando pelas ruas de Moema:um colirio

    Susy

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  2. gostei muito das suas lembranças, Moema cresceu muito,a Dengosa ainda está por lá mesmo com as moderníssimas padarias ao seu redor,a Mobile acho que tomou conta do quadrilátero,é carro por todas as ruas e espaços, quanto ao Marcelo do jeep acho que sumiu do bairro.
    Ana Cristina

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  3. Nô, linda sua narrativa. Lembro de passar em frente à "Verde que te quero verde" e espichar o olho lá pra dentro. Linda! Por acaso Ligia e Luciana são filhas de uma professora chamada Olga? Abraço. Lidia

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  4. alguns moradores mais antigos devem ter em sua casa plantinhas da épocada Verde que te quero verde,abraço

    Paulo César

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  5. Oi Suzy, o Marcelo era um colírio mesmo... Parece que ele casou e virou advogado!

    Ana Cristina, obrigada. Continuo acompanhando o crescimento de Moema... minha mãe ainda mora no mesmo prédio. Vou sempre lá.

    Lidia, sim a gêmeas são filhas da Olga. A Verde era linda demais, né? Saudades...

    Paulo César, com certeza alguns moradores devem ter plantinhas da verde em suas casas!

    E eu também tenho um blog, sou paisagista como a minha mãe, passem lá para me visitar:
    nofigueiredo.blogspot.com

    Beijos floridos,

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  6. ...já lhe disse os momentos gostosos que tenho de você em minhas memórias!
    Bom relembrar ,né?
    O seu prédio continua firme e forte lá aliás sempre foi muito concorrido, todos queriam morar num dos apartamentos..tão perto da escola!
    Quanto ao Marcelo do jeep de fato por onde êle passava muitas meninas suspiravam, nem sei se provavam o tal sanduiche natureba,mas que suspiravam, ah isso sim!
    Nô querida que venham outros textos e fotos!
    beijo bem grande

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  7. Olá, Nô!

    Doces lembranças que ficam na memórias e só nós podemos senitr.POr mais que coloquemos em palavras, não conseguimos dimensionar a emoção sentida em cada trecho da vida, não é?!
    Muito bacanas suas memórias de Moema!
    Valeu!
    Muita paz!

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  8. Oi Marcia, delícia relembrar esses tempos gostosos da minha vida! Obrigada pela oportunidade!

    Oi Soninha, fico feliz que tenha gostado das minhas memórias!

    Beijos floridos para as duas,

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  9. marta ovando obara9/06/2011 7:56 PM

    No que lembranças boas , coloridas e floridas que só podem fazer bem e trazer felicidade.beijocas da tucha.

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    1. Santi Fernandez3/18/2013 3:55 PM

      Eu sou o que Santi que jogava con voce na rua Olivia, sou o irmao la Laura, estou contente de relembrar antigas amizades, pra mim foi o mellor tempo da minha vida.
      Agora como vece sabe moro na espanha nao esqueço da Marta
      um beijao

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  10. Rita Abrahão9/08/2011 3:54 PM

    Moema pra mim é LAR.Meus filhos nasceram aqui,A London casa de carnes ainda está no mesmo lugar,minha filha conheceu o Pereira,achava ele um "Barato",O Empório São Paulo,agora temos San Marché,café na Dengosa,e agora temos Bles Dor,uma delícia !!! E graças a Deua, a Marta,minha grande amiga, continua morando no mesmo lugar.Bjão Marta!!!
    Rita Abrahão

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  11. Oi No, que delicia compartilhar das suas lembrancas que sao, em grande parte, minhas tambem. Bons tempos, momentos felizes. Deu saudades... Beijo, Nina

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