segunda-feira, 14 de maio de 2012

Em Moema "A VIDA ERA BELA"


1939 – começa a 2ª guerra. Walter, operário, 19 anos e Maria, empregada doméstica, 16 anos, ambos moradores de Moema, que então chamava-se Indianópolis, não se conheciam e enquanto alguns jovens do bairro lutavam numa guerra que não era deles, suas vidas continuavam, apesar do fantasma de uma possível convocação.

 Em Moema havia um clube: o União de Indianópolis – uma sociedade com salão de baile e campo de futebol, este, na Alameda dos Maracatins. Foram seus presidentes nessa época, o Bigode e o Sr. Pinhão, dos quais infelizmente só lembramos os apelidos. Também havia o Antonio Saraiva, o Palha, que era diretor esportivo do clube.

Walter, o Meningite, apelido dado pelos colegas que se reuniam no Largo Franco, era goleiro do time de futebol e foi locutor do programa de calouros do clube, A Peneira, até que o substituíram por Jorge Frassati, melhor qualificado para ler os comerciais dos patrocinadores.

 O Mario Cozel, chefe da mecânica na Fiação Campo Belo, também jogava no time e tinha uma cunhada que no final do ano emprestava um piano para a final de gala do concurso de calouros, ocasião em que as lojas patrocinadoras ofereciam os prêmios aos melhores. (Esse Mario Cozel, era o pai do Mario Cozel Filho, aquele jovem que foi morto na explosão de um carro bomba, na porta do 2º exército, durante a vigência do AI-5. Ele servia o exército e estava de sentinela naquela hora. O jipe foi abandonado ali e ele foi verificar de que se tratava. Era um atentado terrorista e ele morreu. Aquela praça em frente ao QG do 2º Exército tem o seu nome e um busto em sua homenagem).

 Voltando ao União de Indianópolis, aos domingos o Narciso Vernise – o Homem do Tempo que todos conhecemos - irradiava pelo alto falante, as corridas de cavalo do Jóquei Clube, para os freqüentadores do campo de futebol. Um dia, durante um campeonato de várzea coberto pela Rádio Panamericana, ele foi notado e convidado pela equipe para apresentar,  naquela emissora, o programa sobre metereologia.

 O Ernesto Cinquetti, também fazia parte dessa turma e quando os pracinhas de Moema voltaram da guerra, ele mandou celebrar uma missa em ação de graças com a presença deles no campo de futebol da Fiação Indiana. Foi uma comoção geral!

Maria, freqüentava um cinema do bairro, acompanhada sempre pela mãe e pela melhor amiga – Nair. Não perdia um filme do Nelson Ed com a Janette Mac Donald – dramas cheios de sofrimento e música lírica. Muito bonita, Maria era comparada a atriz Mary Pickford.

 Durante as sessões de cinema, nas cenas mais tristes, ouviam-se estrondosas gargalhadas na platéia. Era um grupo de rapazes, o Jorge, o Ricardo e o Nêgo, que incógnitos, divertiam-se em ridicularizar o comportamento das choronas de plantão e à saída, ficavam nas portas, zombeteiros, encarando as moças de olhos vermelhos e lacrimejantes.

 Walter e Maria se conheceram nos bailes do União, namoraram e casaram-se em 1943. Enfrentaram juntos racionamentos, blckouts, desemprego e em 1945, no final da guerra, pouco antes de Hiroshima e Nagasáki, tiveram uma filha: eu.
 
texto e fotos enviados por Lidia Walder
 
 

 
 

10 comentários:

  1. Essa história é um conto de fadas

    Maria Silvia

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  2. tôdas as histórias de amor deveriam ter um final feliz como a dos seus pais Lidia

    Renata

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  3. Obrigada Marcia pelo privilégio de ver minhas histórias em seu blog. Obrigada Maria Silvia e Renata pelos comentários, significa que as leram e, a alegria de quem escreve é ver seu trabalho lido. Abraços!!!

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    1. Lidia privilégio tenho eu de ter suas histórias e fotos no blog, obrigada mesmo!
      marcia ovando

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  4. marta ovando obara5/17/2012 7:44 PM

    Que casal lindo..e que historia.Lidia voce deve ser linda tambem..Abraços Marta

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  5. Uma história e tanto essa dos seus pais, parabéns

    Thereza Cristina

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  6. Em primeiro lugar, parabenizo à Márcia pela criação do blog.
    Me chamo Marcelo, tenho 47 anos e nasci em Moema. Morei na Jandira e na Jurucê.
    Estou há horas lendo o blog, tentanto achar conhecidos, e, de certa forma, relembrando minha infância.
    Resolvi comentar neste ponto, pois li nomes que me soaram familiares. Mario Cozel Fº, conforme dito agora por minha mãe, paquerou muito minha tia (irmã dela rsrsr).
    O Cinquetti foi proprietário de um bar na Ibirapuera próximo ao balão do bonde, que depois pertenceu ao meu pai. Minha mãe acabou de comentar que ele(Cinquetti), sofreu um acidente feio com fogos de artifício e teve graves ferimentos em uma das mãos.
    Meu nono, cedeu parte dos fundos do terreno de sua casa na Jurucê, para que fosse ampliada a área do Caui/União.
    Com relação ao Caui, meus pais comentavam que aprendi a nadar com menos de 1 ano na piscina do clube. Os amigos do meu pai, bêbados rsr, me jogavam na água, e eu tinha que me virar sozinho para emergir e voltar para a borda e alguém me pegar.
    Penso sempre que eu fui da última geração, que aproveitou Moema quando ainda se tinha terrenos baldios com mamoneiras pro estilingue, podia-se jogar bola na rua e andar de bicicleta sem o risco de ser atropelado, algumas calçadas eram de terra e podíamos jogar bolinha de gude, soltar pião, etc..
    Irei continuar seguindo o blog e torcendo para que com o tempo, ache pessoas que não tive mais contato.
    Mais uma vez parabéns e obrigado...

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    1. Marcelo que bom você ter gostado do blog!Obrigada pelo comentário e gostaria muito que você participasse mais ..contando mais coisas e quem sabe vc tem algumas fotos da rua, da sua casa, de você..
      vou colocar este seu comentário na página principal do blog, assim que for postar nova postagem
      vou aguardar suas histórias,abraço

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  7. Olá Márcia,
    Histórias tenho bastante para contar, com o tempo e na medida do possível vou postando. Fotos temos muitas e ainda posso "garimpar" outras com familiares, o problema talvez seja a qualidade das fotos e a minha pouca intimidade com o scanner rsrsr.
    Prefere que eu envie por email?, ou me sugere algum local específico do blog?, até mais....

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    1. Olá Marcelo, mesmo sendo a qualidade das fotos não tão boa não tem problema, o mais importante é o registro da vida, da história.
      Pode enviar par o meu email:
      marciaovando@hotmail.com

      vou esperar suas histórias e ...fotos

      obrigada

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